‘Nova classe’ pagante de pilotos na Fórmula 1 projeta futuro nebuloso na categoria

20 08 2013

Escuderias novatas optaram por apostar em jovens desconhecidos endinheirados e o resultado já é catastrófico

Por Luiz Queiroga

Nos tempos gloriosos da Fórmula 1, experiência e ousadia eram esperadas dentro do grid para o piloto alcançar o pódio. As escuderias buscavam nomes mais rodados para se destacarem nas temporadas. Atualmente, porém, vê-se nos circuitos pilotos desconhecidos e jovens. Antes o motivo fosse pela idade, mas na verdade só dirigem pelo quanto podem oferecer financeiramente.

Antes da análise do novo em detrimento da experiência, é preciso notar que na verdade o universo da categoria mais aclamada do automobilismo vive de um ciclo. A rotatividade de outrora acontece agora novamente, mas em contextos diferentes. Pelo pouco profissionalismo e visão das escudeiras e homens que gerenciavam a F1, havia a necessidade de uma troca de pilotos em massa ao término de cada temporada. Os fãs do esporte se acostumavam a ver as equipes tratando os corredores como verdadeiras figurinhas, sem exageros de metáfora.

Novos, porém ricos! Esse é o novo estereótipo de pilotos que surgem na Fórmula 1 e é tendência para os próximos anos (Foto: Revista Warm Up)

Ao decorrer dos anos, percebeu-se que a continuação de uma linha de trabalho dava mais resultados do que toda uma mudança de planos, a começar pelo cockpit, sendo precisas apenas algumas manutenções. Essa realidade se estendeu como o intervalo entre os dois períodos citados e foi o mais promissor da F1. A disputa entre as escuderias tornou-se mais profissional. Surgia o termo “Planejamento a longo prazo”. Aliado a esse cenário, a proibição por parte da FIA de promover testes durante a temporada fez com que os nomes mais experientes se tornassem unanimidade no grid, numa tentativa de os times não terem surpresas desagradáveis ou investimentos arruinados por apostas.

Em 2010, porém, surgiu o esboço do retrocesso, em termos cronológicos, uma vez que a rotatividade de pilotos reapareceu, agora em termos quantitativos, já que cinco novos nomes foram para o grid de uma vez só: os brasileiros Lucas Di Grassi e Bruno Senna, Nico Hülkenberg, Vitaly Petrov e Karun Chandhok. Esboço porque a entrada dos novatos não se dava no lugar dos pilotos já participantes, como era lei antigamente, mas sim porque novas escuderias apareceram. Eram elas HRT, Marussia e Caterham. Começou então o processo de retorno ao ponto inicial do ciclo, em contexto diferente.

As equipes novatas receberam incentivos financeiros para arcarem com os altos gastos do esporte até o fim de 2012. Passado o período, a necessidade de permanecer na elite do automobilismo retornou com a filosofia de troca em massa de pilotos, mas agora por novatos. Novatos endinheirados. Surgia na nova realidade agora o termo “Pilotos pagantes”, que foi adotado pelas novatas – e até mesmo algumas grandes – de forma definitiva após o fim da HRT para conseguirem dinheiro.

Neste ano, seis nomes estrearam na F1: Jules Bianchi , Valtteri Bottas, Max Chilton, Giedo van der Garde, Esteban Gutiérrez e Charles Pic, todos frutos do novo conceito. A discriminação com a nova classe veio naturalmente já que o dinheiro foi colocado à frente da habilidade. Mas a analisar a primeira corrida de 2013, em Melbourne, Austrália, não é de se estranhar que os novatos foram justamente os últimos colocados da prova. Na classificação atual, a temporada já está na metade e nenhum deles pontuou ainda.

Mais promissor da nova safra de pilotos pagantes, Valtteri Bottas ainda não convenceu com a Williams (Foto: AP)

Isso nada mais é do que resultado de uma linhagem semelhante de “escuderias pagantes”, que contaminam desestruturadas categorias de bases, como a GP2, torneio que conta com vagas sendo vendidas para grupo de investidores por escuderias que não conseguem arcar com as despesas.

O que esperar do futuro do automobilismo que tem jovens pilotos criados dentro desse cenário?

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One response

20 08 2013
João Paulo

Sobre os novatos não pontuarem, não pontuaram pq seus carros são ruins. F1 é equipamento acima de tudo, com um bom equipamento, você ganha, com um mais ou menos, um piloto bom pode ganhar, com equipamento ruim, ninguém pontua.

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