A força da Muralha Amarela

16 08 2013

Maior média de público do mundo faz a diferença para o Borussia Dortmund

 

Por Matheus de Andrade

Mosaico da Muralha Amarela contra o Málaga (Foto: Divulgação)

Na última temporada o destaque do futebol europeu foi um clube que chegou até a final da Champions League. No entanto, as atenções se voltaram mais para o vice-campeão do que para o Bayern de Munique. Tudo isso por conta da força de uma torcida apaixonada, em uma cidade voltada ao futebol.

Dortmund não é uma cidade grande, com uma população de 580 mil habitantes, segundo os últimos dados. Cidade industrial,  tem poucas opções para o lazer, o brasileiro Cacau, que joga há quase 15 anos na Alemanha, resumiu o lugar:

– Dortmund é uma cidade que dificilmente entra em algum guia turístico. Não tem belezas naturais, não tem quase nada para fazer, mas vive e respira futebol: Dortmund.

Tudo isso, contribuiu para que o Borussia chegasse a uma marca desejada por todos os clubes de futebol: a de maior média de público no mundo. Com cerca de 80.000 pessoas por jogo, o Westfalenstadion é um verdadeiro patrimônio do Dormund, de lá o clube tira cerca de 17% de suas receitas.

Reforços do Borussia para a temporada (Foto: Reuters)

No entanto, a estabilidade financeira do time chegou a ser bem ameaçada. Em 2005, o clube devia 120 milhões de euros (cerca de 300 milhões de reais), e dois anos antes, teve dois milhões de euros (entorno de 5 milhões de reais) emprestados pelo rival Bayern de Munique. Com a situação claramente complicada, a ordem foi contratar jogadores com um custo beneficio maior e aumentar apoio as  categorias de base.

Sahin e Gotze foram formados no auri negro e a soma das vendas dos dois beira os 50 milhões de euros (cerca de 125 milhões de reais). Enquanto Kagawa, Lewandowiski, Hummels e Reus, são exemplos de jogadores que foram contratados por um preço bem abaixo do que valem atualmente no mercado. Provas de que o sistema adotado pelo Borussia Dortmund deu muito certo.

Para esta temporada o método foi o mesmo, o clube trouxe três reforços de pouca idade: Aubameyang (24), Mhkyraryan (24) e Papasthatoupolos (25). Os resultados já vêm aparecendo: o clube conquistou a Supercopa da Alemanha, em cima do Bayern, com uma vitória por 4×2. E goleou na primeira partida do Campeonato Alemão, 4 a 0, com três gols de Aubameyang. O desafio da equipe, de superar o último ano, é muito complicado, no entanto, o técnico Jürgen Klopp já provou que pode alcançar o objetivo.

A Muralha Amarela

Claro que a política bem sucedida favoreceu o clube, mas as glórias do time se devem principalmente  a torcida. A maior média de público do mundo, criou um ambiente temido pelos adversários e que levou o Borussia a incrível marca de 100% de aproveitamento nas partidas em casa pela Champions League, inclusive com duas vitórias sobre o Real Madrid, uma delas a goleada por 4×1.

O grande mosaico na partida contra o Málaga foi uma representação do que esta torcida é capaz de fazer. Chamada “Muralha Amarela”, a organizada do clube, provou que em meio a um país cheio de restrições aos adeptos, é possível fazer verdadeiros espetáculos, que se espalharam pela Europa, tendo a prática de fazer mosaico, ganhado várias outras torcidas.

O zagueiro brasileiro, Felipe Santana, relatou o sentimento dos atletas diante da torcida:

– A torcida faz parte da fórmula do segredo do time. É muito legal estar jogando para mais de 80 mil pessoas. A gente costuma brincar que não existe torcida mais brasileira na Alemanha do que a nossa, pois foge um pouco do padrão europeu de só bater palma e assistir como se fosse teatro. Eles vibram, apoiam a cada segundo e transformam o estádio em um caldeirão.

(Reprodução / Twitter) Gotze comparado a Judas pela torcida do Borussia

No entanto, o que era apoio pode virar um verdadeiro inferno na vida daqueles que decidem abandonar o clube. O meia Gotze, foi hostilizado e comparado a Judas por conta da sua ida para o Bayern de Munique. Por coincidência, lesionado, o jogador não fez sequer uma partida oficial pelo clube bávaro e viu sua nova equipe perder a Supercopa da Alemanha para o Borussia.

Mas também, pode não se tratar apenas de coincidência. Desde que o novo modelo de gestão foi implantado, jogadores como Zidan, Barrios, Kagawa e Sahin, saíram do clube, mas nenhum deles alcançou o sucesso fora de Dortmund. Sahin inclusive retornou ao auri negro. Só o tempo dirá, se Gotze conseguirá superar a escrita, ou se o Muralha Amarela fará mais um vítima.

Gotze superará a “maldição”? Principais destaques não alcançaram o sucesso esperado:

Mohamed Zidan: Saiu de Dortmund rumo ao Mainz, sem sucesso rumou para o Baniyas, dos Emirados Árabes.

Lucas Barrios: Era sensação no Borussia, inclusive sendo pretendido pelo Real Madrid, perdeu espaço após uma lesão, e foi para a China. Está no Spartak de Moscou.

Nuri Sahin: Principal jogador do clube na época, Sahin foi contratado pelo Real Madrid. Sem espaço na Espanha, foi emprestado para o Liverpool. Continuou sem espaço em Madrid, e voltou para o Borussia, por empréstimo.

Shinji Kagawa: Mais bem sucedido após sair do clube, o japonês, foi para o Manchester United e venceu o último Campeonato Inglês, no entanto, decepcionou muito na Champions League.

Mario Gotze: Contratado em uma polêmica transação pelo Bayern, o jovem jogador tem oportunidade de quebrar a escrita dos ex-auri negros. Até o momento não estreou pelo clube bávaro, por conta de uma lesão e viu sua nova equipe perder o primeiro título da temporada, justamente para o Borussia.

 

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