Sob o comando de bilionários, clubes europeus experimentam a glória e o fracasso no futebol

8 08 2013

História mostra que modelo de gestão onde o dinheiro manda vive de vitórias e derrotas em igual proporção

                                                                          Por Leonardo Perri

Dono do Chelsea, Abramovich é exemplo para gestões milionárias (Foto: The Guardian)

Dono do Chelsea, Abramovich é exemplo para gestões milionárias (Foto: The Guardian)

O desejo de ser uma potência no futebol mundial. Ter uma grande torcida, grandes jogadores, visibilidade mundial, conquistar títulos importantes. Esse é o desejo de todo clube, principalmente daqueles que não estão no hall dos grandes do mundo com muitas taças e tradição. No entanto, um novo modelo de gestão de futebol que se opõe ao modelo tradicional onde o trabalho a longo prazo e a consolidação da marca constroem o dito grande clube vem possibilitando a clubes pequenos e médios conseguirem o tão desejado status de clube grande.

Nesse modelo a curto prazo, grandes bilionários do mercado financeiro internacional compram esses pequenos e médios clubes do futebol e passam a investir milhões no clube e principalmente em contratações de impacto que cheguem e alcem a equipe a um nível que ela não possuía. Em troca, esses donos de clubes ganham em popularidade no mundo globalizado do futebol e lucram com os grandes valores que hoje giram no mundo da bola. A moda que começou há dez anos com os magnatas russos, hoje se espalhou pelo mundo inteiro com destaque para os sheiks do mundo árabe. Atualmente, pelo menos 50 clubes no mundo são de proprietários endinheirados.

Dentro de campo, os resultados dessa forma gestão são bem distintos. Há tanto exemplos de sucesso como o Chelsea de Roman Abramovich que conseguiu elevar o time ao patamar de grande potência e um dos clubes mais famosos do planeta, quanto de fracassos como o Quenns Park Rangers, do bilionário Lakshmi Mittal, que acabou caindo para a segunda divisão do futebol inglês.

Nova sensação, PSG é comandado pelo xeque Nasser Al-Khelaifi (Foto: Reuters)

Nova sensação, PSG é comandado pelo xeque Nasser Al-Khelaifi (Foto: Reuters)

A principal crítica que é feita a esta forma de gerir o clube é em relação a identificação que é perdida por parte dos clubes ao deixarem o comando na mão de um empresário que supostamente não tem conhecimento sobre futebol e pode ditar as regras como ele quiser, afinal é o dono. O exemplo de Suleyman Kerminov, dono do Anzhi-RUS, que após uma derrota de seu time para o Rostov por 1 a 0 pelo campeonato local resolveu mudar toda sua forma de gestão, abandonando as contratações milionárias para investir em jogadores e colocando todo o elenco à venda mostra como o modo de gestão pode falir.

Além disso, outro questionamento que é feito é com relação a disparidade financeira que a presença de grandes investidores cria no mercado futebolístico, com equipes com poder de investimento infinitamente superiores a outras. Fato que preocupa as entidades esportivas internacionais como a UEFA que estuda medidas para restringir a entrada dos poderosos no meio do futebol.

Modelos consolidados

Magnata russo comemora o principal título de sua gestão (Foto: Divulgação Chelsea/FC)

Magnata russo comemora o principal título de sua gestão (Foto: Divulgação Chelsea/FC)

Iniciado há 10 anos, o modelo do Chelsea é o mais bem acabado e bem sucedido de todos no futebol atual. Antes um time tradicional, porém modesto, o clube foi comprado pelo magnata russo Roman Abramovich e daí para frente não parou de crescer mais. Atualmente entre os três clubes mais populares do mundo segundo o site goal.com e com uma receita em 2012 que chegou a 582 milhões de reais, o clube segue crescendo e aposta na volta do campeão José Mourinho para voltar a ganhar títulos.

Apesar de algumas mudanças de técnico e momentos de turbulência na gestão, dentro do campo, com um investimento de cerca de R$ 3 bilhões, Abramovich conseguiu em títulos o seu retorno. Desde a temporada 2003/04 foram 13 títulos conquistados. Entre os principais estão uma UEFA Champions League, uma Europa League e três conquistas da Premiere League.

Outro modelo bem consolidado na Europa é do Shakhtar Donetsk. Liderado pelo oligarca Rinat Akhmetov, o clube ucraniano tem como característica montar elencos com jovens jogadores principalmente brasileiros. Comprados por muito dinheiro, esses atletas estabelecem uma base sólida e duradoura no time do leste europeu com a valiosa ajuda do técnico Mircea Lucescu, que fala português. Os valores de 9 milhões, 13 milhões e 11 milhões de euros pagos respectivamente por Wellington Nem, Fred e Fernando não desmentem a política de contratações do clube em jogadores jovens com futuro promissor.

Jogadores do Shakhtar festejam com o dono do clube, Rinat Akhmetov (Foto: Reuters)

Jogadores do Shakhtar festejam com o dono do clube, Rinat Akhmetov (Foto: Reuters)

O clube pode não ser o mais admirado por fãs no mundo afora devido à sua localização, leste europeu, e pela pouca influência que os clubes da região exercem no eixo principal mas o clube é um ponto fora da curva e conseguiu uma soberania local e conquistas a nível internacional. Presença constante nas edições da Champions League, o Shakhtar conquistou sete dos últimos 13 campeonatos ucranianos além da extinta Copa da Uefa em 2009. Elano, Jadson e Fernandinho são exemplos dos que chegaram garoto no clube e marcaram época.

No caminho do sucesso

Comprado em 2008 pelo xeque árabe Mansour bin Zayed Al Nahyan, o Manchester City segue na busca de se tornar de se tornar um dos grandes da Inglaterra e da Europa. Em termos financeiros e de marketing, o clube já tem uma das maiores arrecadações do mundo e a visibilidade do clube no mundo cresceu consideravelmente. O que ainda falta ao chamado “primo pobre” de Manchester realmente são as conquistas.

Manchester City voltou a ganhar a Premiere League após 44 anos (Foto: Getty Images)

Manchester City voltou a ganhar a Premiere League após 44 anos (Foto: Getty Images)

O único título de expressão do City sob a nova gestão foi a Premiere League na temporada 2011/12 que não vinha desde a temporada 1967/68 e uma Copa da Inglaterra. Títulos conquistados com alto investimento em jogadores como Tevez, Agüero, Balotelli, Yaya Touré além do técnico Mancini, que hoje não dirige mais o clube. Para esta temporada, o clube inglês não economizou e gastou milhões em reforços de nome como Fernandinho, Negredo, Jesús Navas e Jovetic em busca de mais conquistas não somente em território inglês.

Cavani custou R$185 milhões aos cofres de seu dono (Foto: AP)

Cavani custou R$185 milhões aos cofres de seu dono (Foto: AP)

Assolado em crises nos últimos anos, o PSG surge como grande sensação após o príncipe do Catar Nasser Al-Khelaifi comprar o clube no começo do ano passado e investir alto no time. Com um investimento de 62 milhões de euros, as estrelas do endividado Milan Ibrahimovic e Thiago Silva desembarcaram e Paris como astros do time que contava ainda com os brasileiros Maxwell, Alex e Lucas, comprado por 108 milhões de reais.

E os resultados vieram logo na primeira temporada com o título do Campeonato Francês sob o comando de Ibra, Lavezzi e cia. A segunda taça foi a supercopa da França levantada no início deste ano contra o Bordeaux, dando amostras de um futuro promissor em pouco tempo ao time francês que na temporada passada fez digna campanha na Champions League onde não perdeu nas quartas de final para o Barcelona mas foi eliminado. Neste ano o clube já agitou o mercado com a quinta contratação mais cara da história. Trata-se do uruguaio Cavani, adquirido por 185 milhões de reais.

Ainda sem nenhuma competição oficial disputada, o novo milionário Monaco chega para concorrer forte pela Ligue 1 com o rival PSG. O time do principado liderado pelo empresário Dmitry Rybolovlev investiu o mesmo valor de Cavani na dupla do Porto James Rodríguez e João Moutinho. Chegaram para o time ainda o lateral-esquerdo Abidal e o zagueiro português Ricardo Carvalho. Mas o grande trunfo do Monaco foi a chegada de Falcao García, alvo desejado por muitos grandes da Europa mas que por 159 milhões foi vendido ao clube francês.

Falcao chegou a peso de ouro para o Monaco (Foto: AP)

Falcao chegou a peso de ouro para o Monaco (Foto: AP)

Mas não é só em campo que o time causa preocupações. Nos bastidores, o time vem criando inimizades por oferecer salários altíssimos a jogadores sem o desconto tributário que é cobrado no resto da Europa. Como Monaco é um principado, o clube não arca com tributos. A federação do país estuda para a equipe abrir uma sede em território francês para se adequar aos padrões.

Tentativas frustradas

Tentando ser o “novo Chelsea”, o bilionário siderúrgico Lakshmi Mittal comprou o pequeno Queens Park Rangers e investiu pesado para tentar mudar a cara do time. Contratou jogadores como Bosingwa, o sul-coreano Park Ji-Sung como grande esperança após sete anos no United, o lateral brasileiro Rafael, e Júlio César, que havia acabado de sair da Inter de Milão. No entanto, o projeto comandado pelo técnico Mark Huges não vingou e a equipe acabou sendo rebaixada para a segunda divisão.

Julio Cesar chegou como estrela mas acabou sendo rebaixado com o QPR (Foto: Reuters)

Julio Cesar chegou como estrela mas acabou sendo rebaixado com o QPR (Foto: Reuters)

Com a nova realidade, o clube viu o sonho ir por água abaixo da forma mais trágica possível e terá de se adequar a uma nova realidade para voltar à elite.

Dono do Anzhi se irritou e colocou todo time à venda (Foto: Site Oficial)

Dono do Anzhi se irritou e colocou todo time à venda (Foto: Site Oficial)

Tentando criar uma nova potência no leste europeu, Suleyman Kerimov comprou o desconhecido Anzhi Makhachkala em 2011 disposto a gastar o quanto fosse preciso. Surpreendeu a todos contratando o camaronês Samuel Eto’o por 43 milhões de euros com o maior salário do mundo à época. Vieram ainda o russo Zhirkov, que estava no Chelsea além dos brasileiros Jucilei, Diego Tardelli e Roberto Carlos, hoje aposentado. Recentemente, o clube russo desbancou gigantes europeus comprando o disputado brasileiro William por 93,5 milhões de reais.

Em um campeonato não muito competitivo, se imaginava que o time russo pudesse deslanchar mas não foi o que ocorreu. Se passaram dois anos e o time não conseguiu superar seus rivais CSKA e Zenit e o estopim da crise veio agora com o dono do clube demitindo o renomado Guus Hiddink e colocando todos os jogadores do time à venda.

Por último, o xeque Abdullah Bin Nasser Al-Thain tentou dar um fim ao monopólio de Real Madrid e Barcelona na Espanha e comprou o Málaga por 36 milhões de euros e reforçou quase um time inteiro. Destaque para as aquisições de Van Nistelrooy, Julio Baptista, Toulalan e Isco.

Dono do Málaga colocou o time à venda (Foto: Reuters)

Dono do Málaga colocou o time à venda (Foto: Reuters)

Apesar da surpreendente campanha na Champions League onde acabou sendo eliminado nas quartas de final para o Borussia Dortmund, o Málaga não conseguiu boa campanha no Campeonato Espanhol onde acabou apenas na sexta colocação, garantindo vaga na Liga Europa. Os resultados não animaram o dono do time que estuda vender o clube. Ainda por cima, destaques da equipe não permaneceram na equipe para essa temporada como Julio Baptista, que acertou com o Cruzeiro e Isco, promessa da seleção espanhola que foi vendido ao Real Madrid.

Novo milionário?

Afastada do cenário europeu desde a última conquista da UEFA Champions League em 2009/10, a Inter de Milão vem colecionando sucessivos fracassos tanto no cenário nacional, onde não consegue competir com Juventus e Milan pelo título italiano e internacional, ficando fora das últimas edições da Champions.

Fato que deve fazer com que o clube seja negociado por Massimo Moratti ao indonésio Erick Thohir por aproximadamente 300 milhões de euros. Segundo a Gazzeta dello Sport, o novo acordo prevê cerca de 80 a 100 milhões de euros anuais para a contratação de reforços para a equipe.

Erick Thohir surge como possível proprietário da Inter de Milão (Foto: Getty Images)

Erick Thohir surge como possível proprietário da Inter de Milão (Foto: Getty Images)

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