Após definições contrárias pelo Palmeiras, Valdivia e Barcos seguem rumos diferentes nas carreiras

1 08 2013

Enquanto o atacante saiu do Verdão preocupado em perder espaço na Seleção ao jogar na Série B, meia permaneceu no Alviverde e colhe frutos e voltou ser chamado no Chile, diferentemente do argentino, que não foi mais convocado

Por Luiz Queiroga
Colaboração de Michel Corbacho

Caminhos opostos: Valdivia permaneceu no Palmeiras e chegou à Seleção. Já Barcos, amargou 70 dias sem balançar as redes e está cada vez mais longe da Copa do Mundo (Edição: Luiz Queiroga)

Caminhos opostos: Valdivia permaneceu no Palmeiras e chegou à Seleção. Já Barcos, amargou 70 dias sem balançar as redes e está cada vez mais longe da Copa do Mundo (Edição: Luiz Queiroga)

A turbulenta crise implantada no Palmeiras foi o divisor de águas para dois atletas que eram bastante identificados com o clube: o meia Jorge Valvidia e o atacante Hernán Barcos. Após o clube ter sido rebaixado ano passado, os dois tomaram uma decisão que mudou totalmente a carreira de cada um. Enquanto o chileno se manteve no Palestra Itália e suportou as críticas e o ambiente ruim, Barcos forçou a saída para o Grêmio, com o pensamento de que se atuasse na Série B do Campeonato Brasileiro, não receberia mais chances na seleção argentina.

Atualmente líder da Segunda Divisão do Nacional, o Palmeiras tem como um dos principais jogadores Valdivia, que superou as lesões e a desconfiança e voltou a brilhar na carreira. Já Barcos, bastante criticado pela torcida gaúcha recentemente, passou por um enorme jejum de gols e não fez por merecer o alto investimento feito pelo Grêmio. O resultado foi: para os amistosos internacionais deste mês, Valdivia figurou entre a lista de convocados do Chile para o duelo contra Iraque, enquanto Barcos ficou de fora de mais um compromisso pela Argentina.

Enquanto “El Mago” se comportou como um verdadeiro capitão no Palmeiras, mesmo após uma tempestade turbulenta, Barcos seguiu o espírito de “El Pirata”, abandonou o navio e se vê preso numa ilha. Será que a falsa promessa do argentino de permanecer no Verdão amaldiçoou o pirata?

Após ser praticamente “crucificado”, Valdivia ressurge das cinzas junto com o Palmeiras

O jogador diferenciado sempre é o mais cobrado em momentos negativos e com Valdivia não foi diferente quando a Série B do Campeonato Brasileiro estava cada vez mais próxima para o Palmeiras, ano passado. As seguidas lesões do meia comprometeram o jogador de poder ajudar dentro de campo o time a sair da crise. Desde que retornou ao Verdão, em 2010, por um alto investimento, o chileno não tinha dado o retorno esperado pela diretoria e torcida. De 207 jogos que a equipe entrou em campo desde a volta de “El Mago”, o chileno atuou apenas em 91 oportunidades (44% de aproveitamento), sendo que apenas 34 foram até o apito final, segundo dados da revista Placar.

Valdivia sempre esteve no meio do tiroteio na crise do Palmeiras, mas permaneceu no clube (Foto: Arena)

Por mais que o cenário não fosse dos mais promissores, Valdivia permaneceu no Palestra Itália. Teve o nome especulado no futebol do Oriente Médio, mas se manteve no time, mesmo depois do rebaixamento para a Segunda Divisão. A chegada do técnico Gilson Kleina foi fundamental para o meia ter o quadro revertido dentro do clube. Ele juntamente com a comissão técnica promoveu um planejamento afim de não exigir muito do físico de Valdivia.

– O Valdivia é um jogador diferenciado, que faz coisas dentro de campo que outros jogadores não fazem, Por isso é tão importante para o time. Ele será poupado quando tivermos jogos aos sábados e terça, na Série B, ou quando começar a Copa do Brasil, torneio muito importante. E, claro, vamos avaliar sempre o adversário e se o deslocamento é longo – explicou o treinador.

Valdivia (direita) é submetido a um cronograma realizado por Gilson Kleina e a comissão técnica para estar disponível em jogos decisivos (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Prova de que o planejamento vem dando resultado, na última terça-feira (30), o chileno entrou em campo apenas aos 18min na partida contra o Icasa, pela nona rodada da Série B, e participou diretamente de dois lances que acabaram em gol, na vitória por 4 a 0. Por enquanto, a decisão de Valdivia de permanecer no clube foi acertada. Mais do que isso, na rodada anterior, contra o ABC-RN, o técnico do Chile, Jorge Sampaoli, esteve presente no Pacaembu para presenciar ao vivo a atuação do meia, dias antes da convocação do treinador para o duelo contra o Iraque.

– Estou feliz, agradeço a chance de estar jogando e treinando que é o que mais gosto. Aos poucos vou melhorar, o time também. O importante é que estamos tendo uma sequência de vitórias e jogando bem – exaltou.

Jorge Sampaoli (último da direita) acompanhou de perto Valdivia e resolveu convocá-lo para o amistoso contra o Iraque (Foto: Ari Ferreira/ LANCE!Press)

Após promessa de ficar no Palmeiras, Barcos sai para o Grêmio e cai em desgraça

– O amor e o carinho que eu tenho pelo Palmeiras não troco por nenhum clube.

Jejum de gols foi também culpa de Luxemburgo, segundo Barcos (Foto: Ricardo Rimoli/Agência Lance)

A frase acima foi de Hernán Barcos, divulgado num vídeo pelo próprio jogador no ápice das especulações sobre o futuro do atacante. Pouco mais de três meses depois, o argentino acertava a ida para o Grêmio, o que frustrou e revoltou a torcida alviverde.

Com um começo promissor pelo novo time, Barcos não repetiu o mesmo futebol demonstrado pelo Palmeiras. Quando Vanderlei Luxemburgo deixou o clube, o próprio argentino culpou o técnico por coloca-lo mais deslocado da posição que ele sempre atuou.

– Foram situações de jogo que aconteciam. Eu fazia um trabalho diferente do que estava acostumado, mas eram formas de trabalho. Não era o que eu queria e o que eu sabia fazer. Mas faço o que o técnico pede. Por momentos saía, outros não – comentou.

O jejum de gols fez com que parte da torcida do Palmeiras criasse um site no qual contabilizasse os minutos que Barcos não balançava as redes. A pressão pelo gol se encerrou apenas 70 dias depois, no empate contra o Atlético-PR, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. A partida marcou a estreia de Renato Gaúcho no comando do Tricolor, e o técnico demonstrou preocupação em propiciar para o centroavante o melhor estilo de jogo para que ele volte a ser o mesmo goleador do tempo do Palmeiras.

Jejum de gols de Barcos foi motivo de ironia para torcida do Palmeiras (Foto: Reprodução)

Desde a última convocação para a seleção argentina, que já contabiliza mais de 250 dias segundo o mesmo site de torcedores alviverdes, Barcos perdeu espaço para atacantes com mais agilidade. O único centroavante chamado pelo técnico Alejandro Sabella foi Di Santo, mas que não conta com muita confiança do treinador, que prefere um ataque mais veloz. Prova disso foi a convocação para o amistoso contra a Itália, que conta com, Lionel Messi (Barcelona), Rodrigo Palacio (Inter de Milão), Sergio Agüero (Manchester City) e Ezequiel Lavezzi (Paris Saint-Germain). Gonzalo Higuaín é o único centroavante garantido no elenco de Sabella e titular indiscutível.

À medida que a Copa do Mundo do ano que vem está perto, o nome de Barcos está mais distante da Argentina. Após ter saído do time que o “revelou” para o futebol mundial e o levou para a Seleção, o sonho de Barcos disputar um Mundial pode não acontecer. Concorrência não falta no setor ofensivo, Palacio não está com lugar assegurado e Scocco, reforço do Internacional, Juan Martínez, ex-Corinthians e Boca Juniors, Icardi, da Inter de Milão, e Carlitos Tevez, da Juventus, podem complicar o objetivo de Barcos. Enquanto isso, atuando pela Série B, além de Valdivia, o volante Erguren, também do Palmeiras, foi convocado pelo Uruguai para o duelo contra o Japão.

Messi (direita) é presença garantida na Copa do Mundo do ano que vem, mas Barcos tem a convocação ameaçada (Foto: Reprodução/R7)

Quando a delegação gremista retornou de São Paulo, após a derrota para o Corinthians, nesta quarta-feira, a torcida protestou contra Barcos. “Volta para o Palmeiras, safado, argentino de m… Ganha R$ 500 mil para não fazer nada”, soltou um gremista. Por mais que o convite tenha sido indigesto, não seria uma má ideia para o argentino.

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