Engenhão fecha durante um ano e meio devido a danos estruturais na cobertura

7 06 2013

Decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira

Por Renato Fugulin

Quase seis anos após a inauguração do estádio que custou R$ 380 milhões, danos estruturais fazem com que Engenhão seja interditado até 2015. Foto: Getty Images

A Comissão Especial de Avaliação do Engenhão anunciou esta tarde, em coletiva de imprensa realizada na sede da prefeitura do município do Rio de Janeiro, a interdição do Engenhão por mais 18 meses. A decisão foi tomada devido aos danos estruturais na cobertura do estádio.

Um dos engenheiros que faz parte da Comissão, Sebastião Andrade, detalhou os problemas na estrutura. “O arco saiu do seu plano. E o que acontece, primordialmente, é que o arco de um estádio como este tem que estar no plano. Uma pequena deformação é até normal, devido ao sol, por exemplo, mas ele volta para o seu lugar. Não é o que acontece”, começou por explicar.

“Da maneira que está, o estádio não cumpre com os riscos mínimos. A gente consegue ver que as peças superiores também estão com este problema. A preocupação é bastante grande. Novamente está curvado, parecem as curvas da estrada de Santos. Existem várias ondulações, para um lado e para o outro”, continuou.

“Diante das considerações expostas e da avaliação de toda a documentação disponibilizada, esta Comissão entende que o reforço estrutural imediato da cobertura é imprescindível para que possa ser utilizado com os níveis mínimos de segurança exigidos pela legislação vigente”, finalizou o engenheiro.

Outro ponto debatido foi a questão dos custos da reforma. De acordo com Alexandre Pinto, secretário Municipal de Obras do Rio de Janeiro, a prefeitura não deve arcar com os gastos, uma vez que o projeto não foi de sua autoria. “Não vamos pagar por essa reforma. Houve um erro de projeto e esse custo não cabe à prefeitura. Vamos nos basear no código civil, em uma lei de responsabilidade civil de construção”, disse o secretário.

Por outro lado, o engenheiro Marcos Vidigal, representante da Odebrecht, um dos consórcios responsáveis pela instalação da cobertura, afirmou que o consórcio também não está envolvido com o projeto. “Vamos esperar a notificação da prefeitura para nos manifestar. Mas o consórcio não tem responsabilidade sobre o projeto. Quando fomos contratados o projeto estava concluído, as peças já estavam fabricadas”, afirmou.

O projeto de construção do Engenhão foi anunciado em janeiro de 2003, ao custo de R$ 60 milhões. O estádio seria utilizado nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Na altura, previa-se que a obra estivesse concluída em 2014. No entanto, a entrega foi adiada para o final de 2005 e o valor aumentou para R$ 166 milhões. Em agosto de 2005, o prazo foi novamente estendido, desta feita para dezembro de 2006. Mais uma vez, as cifras envolvidas aumentaram: R$ 250 milhões. A seis meses do início do Pan-Americano, a Odebrecht e a OAS foram contratadas para instalar a cobertura. O estádio foi entregue em junho de 2007, duas semanas antes do começo do evento. A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou depois o custo final do Engenhão: R$ 380 milhões, mais de seis vezes do que foi previsto no projeto inicial.

Em 26 de março de 2013, o prefeito Eduardo Paes determinou que o Engenhão fosse interditado devido aos danos estruturais apontados por um estudo realizado pela empresa alemã Schlaich, Bergermann und Partner (SBP). O laudo elaborado pela SBP informou que a cobertura corria riscos de não suportar ventos superiores a 63 quilômetros por hora.

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