Atento à “mercantilização”, ministro do Esporte quer evitar que futebol “vire ópera”

27 05 2013

Danilo Gonçalo

A renda da partida entre Santos e Flamengo, em jogo de estreia dos times no Campeonato Brasileiro e do reformado estádio Mané Garrincha, registrou um marco no futebol brasileiro e, ao mesmo tempo em que é motivo de comemoração, também preocupa uma das principais vozes do esporte no Brasil, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Em entrevista a um time de blogueiros – dentre eles o Jornalismo FC – na manhã desta segunda-feira, Rebelo manifestou sua preocupação com a elitização do futebol brasileiro e criticou aqueles que sugerem que afastar os mais pobres dos estádios é uma forma de acabar com a violência nos estádios.

Questionado sobre o futuro do futebol brasileiro, que ganha em partes com os novos estádios, o ministro argumentou que há a necessidade de interferência do governo agora para evitar que situações como a ocorrida neste fim de semana, no Mané Garrincha, afastem o torcedor de baixa renda das arenas esportivas.

“Nós (Governo Federal) temos pensado nisso, estamos observando a mercantilização do futebol”, afirmou o titular do Ministério do Esporte, que considera que “é um erro excluir o povo” dos estádios por causa de dinheiro.

Traçando um cenário pessimista, Aldo Rebelo afirmou que existe a possibilidade de, após a Copa do Mundo, o futebol brasileiro “virar um ópera”, onde vão pessoas “apenas pelo evento, e não por serem torcedores”.

Se esse hipotético cenário se concretizar, “não vejo futuro para o futebol”, afirma o ministro, que ressaltou que o esporte ganhou o status de preferido dos brasileiros por ter o apoio das classes sociais menos favorecidas.

Esse sentimento do ministro Rebelo vai contra uma multidão que aponta a elitização do futebol como meio para erradicar a violência nos estádios. No meio, ainda existem os que são favoráveis à profissionalização da administração dos clubes e das entidades para neutralizar os males que afastam o torcedor das arenas, visão compartilhada por Rebelo.

Embora a discussão gire em torno do futebol pós Copa, as mudanças já vêm ocorrendo. A partida entre Santos e Flamengo apenas inaugurou uma fase de ingressos caros e rendas vultuosas. Neste jogo, a venda de entradas rendeu cerca de R$ 7 milhões, muito por causa do preço dos bilhetes, que custaram de R$ 160 a quase R$ 500.

Em jogos importantes, clubes têm optado por aumentar o valor dos ingressos a preços bastante altos, muitas vezes afastando aqueles torcedores mais assíduos em partidas de menor importância.

Com os novos estádios, a tendência é que os preços aumentem para custear a manutenção da estrutura e dar conforto ao torcedor, “benefícios” que deveriam ser um padrão para tirar o espectador do sofá e atraí-lo para as arenas muito antes de o Brasil pensar em sediar uma Copa do Mundo.

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28 05 2013
Aldo Rebelo defende patrocínio de empresas estatais e maior participação do governo na gestão do Esporte |

[…] “Defendo que o Estado tenha poder de impor regras e limites por interesse público e por interesse nacional”, afirmou Aldo. O ministro explicou que a intromissão na gestão é necessária para limitar mandatos de dirigentes e evitar que sejam usados para “projetos pessoais” em detrimento do esporte. “defendo a limitação dos mandatos e a profissionalização da gestão”, disse. Ministro do Esporte quer evitar que futebol “vire ópera” […]

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