Paulo Nobre, ao JFC: “O Palmeiras tem que ser o seu maior aliado e não o seu maior adversário”

16 04 2013

Em entrevista exclusiva ao JornalismoFC, o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, disse estar feliz com a boa fase do time.

Por Giovanna Frugis

Presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, diz estar feliz com nova fase do time. (Foto: Leonardo Soares/UOL)

A vitória por 1 a 0 contra o Libertad, na última quinta-feira (11/04), garantiu a classificação antecipada do Palmeiras para a próxima fase da Libertadores. Além disso, o time está entre os oito no Paulistão. O elenco está finalmente se encontrando e os garotos que vieram da base estão sendo bem aproveitados. Por essas e outra que o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, que está a frente do clube a apenas três meses, não poderia estar mais feliz.

Apesar da boa fase, em entrevista exclusiva ao Jornalismo FC, o mandatário palmeirense disse estar com os pés no chão: ” O problema financeiro que o Palmeiras enfrenta hoje é claro para todo mundo”.

Paulo Nobre: “O Palmeiras tem que ser o seu maior aliado e não o seu maior adversário”. (Foto: Ag. Estado)

Paulo de Almeida Nobre é o 38º Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras. Advogado, piloto de rali e com apenas 45 anos de idade, Nobre é o segundo presidente mais novo da história do clube, perdendo apenas para Dante Delmanto que, em 1932, foi eleito com 25 anos.

Confira abaixo nossa entrevista, na íntegra, com o dirigente.

JFC: Vamos começar falando sobre o jogo contra o Libertad. O time conseguiu a vitória e já está classificado para as oitavas da Libertadores. No jogo, o time mostrou muita raça e os jogadores tem inclusive batizado cada jogo da Libertadores como ” jogo da vida”. Existe alguma conversa ou preparação especial para os jogos da Libertadores?

Paulo Nobre: Não existe nenhuma preparação especial para os jogos da Libertadores. Eles estão chamando de “jogo da vida” agora, porque para naquele momento, aquele jogo se torna o mais importante do ano, porque pode significar sua permanência ou sua eliminação da competição. Agora, o que sempre tentamos fazer é ter um contato mais próximo com os jogadores: a comissão técnica faz toda a parte motivacional e de concentração. E nós, da diretoria, tentamos sempre deixá-los muito tranquilos. Eu falei que não existe mais a palavra “eu”. De agora em diante, será apenas “nós”, tanto nas derrotas quanto nas vitórias. Então acho que isso acaba dando certa tranquilidade para eles trabalharem, porque estaremos dando suporte. Quero que eles sintam que não é uma espingarda de uma bala só.

JFC: No jogo contra o Libertad o Valdívia foi visto em um dos camarotes assistindo o jogo e apoiando o time fora de campo. Entretanto, ele vem apoiando muito mais fora de campo do que dentro das quatro linhas. Ele era considerado peça-chave do elenco, mas graças às suas lesões, o time já conseguiu se acertar e se moldar sem ele. Qual o custo-benefício do Valdívia? Já existe algum plano sobre ele?

Paulo Nobre: O Valdívia faz parte do elenco e está muito motivado. Ele não foi apenas na partida contra o Libertad. Ele tem ido em todos os jogos para estar junto com o grupo. Mas isso não é apenas ele; todos os jogadores suspensos, lesionados ou os que não foram relacionados vão. E isso é muito legal, você consegue ver a união do elenco. Este grupo iniciou o ano completamente desacreditado. E isso os uniu, isso mexeu com os brios de todos no elenco.  Eu falei depois daquele 6×2 (contra o Mirassol pelo Campeonato Paulista), que o nosso time tinha vergonha na cara. Eles realmente têm. Eles realmente ficaram incomodados com aquele resultado e demonstraram nos quatro jogos seguintes toda essa doação em campo. O Valdívia neste meio tempo vem sofrendo certas lesões constantes, então não tem como colocá-lo para jogar duas vezes por semana. Como o Palmeiras não teve pré-temporada, isso se torna mais complicado, são vários jogadores se machucando. Nós gostaríamos de fazer uma inter-temporada durante a Copa das Confederações, para preparar o elenco para a Série B. Seriam quatro jogos e depois iríamos parar por um mês para preparar melhor o físico dos jogadores. Nesta fase onde ele (Valdívia) está se contundindo mais, vamos priorizar os jogos mais importantes para ele jogar. Com o Valdívia em campo o Palmeiras ganha uma qualidade indiscutível.

JFC: O time do Palmeiras hoje em dia tem uma cara bem mais jovem do que antes. Muitos garotos da base vem sendo aproveitados no elenco profissional. Você está satisfeito com as atuações destes garotos?

Paulo Nobre: O problema financeiro que o Palmeiras enfrenta hoje é claro para todo mundo. Uma das promessas de campanha seria a austeridade financeira e não agir de uma maneira simplista para tentar formar um super time, adiantando receita e tentar dar a volta por cima com as conquistas que este super time ganharia. Então, com isso, o aproveitamento dos garotos da base no elenco profissional é uma questão de necessidade. Mas isso é muito positivo. Quando você pega os garotos da base para jogar no profissional, eles ganham bagagem e podem se tornar grandes jogadores para o clube, ou eles podem se valorizar e serem vendidos. A base fica muito mais motivada, porque ela sabe que hoje está sendo olhada com muito mais carinho e, além disso, outras pessoas vão querer vir para a base do Palmeiras vendo que o clube está aproveitando mais estes jogadores. Então, estou super feliz. O Vinicius foi uma grata surpresa. A torcida pegava muito no pé dele e hoje é um fato que ele está jogando bem. E não temos apenas o Vinícius; temos o Souza, o Patrik, o Caio, João Denoni, o Bruno. A garotada de uma maneira geral. Estou super feliz e muito satisfeito.

JFC: E reforços? Já existem reforços em mente para o segundo semestre?

Paulo Nobre: O Palmeiras não está fechado para negociar com absolutamente nenhum grande jogador. Mas precisamos analisar nossas possibilidades financeiras. Estamos sempre em constante procura, principalmente para contratações cirúrgicas para um ou outro ponto da equipe para poder  complementar e fortalecer ainda mais este elenco. Da mesma maneira que nenhum jogador é inegociável, qualquer jogador poderia ser vendido ou entrar em uma negociação, respeitando o momento do time. Mas sempre de acordo nosso momento financeiro.

JFC: Pensando um pouco mais na frente, o Palmeiras pretende trazer algum nome de peso para o centenário?

Paulo Nobre: Temos que ter um time bem competitivo no centenário. Um nome de peso viraria um ídolo e isso é muito importante. O ídolo é sempre uma referência. Depois que o Marcos se aposentou ficou complicado. Ele tem uma história de duas décadas jogando no Palmeiras, com toda aquela personalidade super simples e brincalhona que ele tem. Ele é uma pessoa admirada não só pela torcida do Palmeiras mas por todas as outras torcidas também. Então é complicado. Mas temos o Valdívia, o Henrique, temos agora o Leandro surgindo. Acho que temos que formar um time competitivo e dentro deste time, a torcida já vai começar a se identificar mais com um jogador ou outro e assim começa a surgir um ídolo. Quem não gostaria de trazer um nome de peso? Dentro das possibilidades e, principalmente, se o marketing conseguir viabilizar, temos alguns sonhos. Mas sempre com os pés no chão.

JFC: Sobre os programas de sócio-torcedor do clube. Eles serão mais explorados?

Paulo Nobre: Acho que os programas de sócio-torcedor que o Palmeiras fez até hoje foram feitos em um momento inadequado ou talvez foram feitos com um pouco de pressa e, com isso, não tenham dado a devida atenção para uma coisa e uma fonte de renda tão importantes, como são esses programas. Analisando todos os programas de sócio-torcedor do Palmeiras e de outros clubes que aconteceram até hoje, você pode pegar o que tem de bom em cada um deles, adaptar nas características da torcida palmeirense e lançar um novo projeto. Todos que entraram nos programas anteriormente não tem culpa se não foi bem feito ou bem administrado. Então todos os programas serão abraçados e pretendemos lançar um novo programa sócio-torcedor sendo administrado pelo Palmeiras e não por terceiros. Um programa muito pró-ativo, que tenha muita interação com todos os participantes. Estamos estudando para lançar alguma coisa nova ainda este ano.

JFC: Com essa fase do time, já existem novos patrocínios em vista?

Paulo Nobre: Desde quando a KIA sinalizou que não iria continuar, nós começamos a procurar outras empresas. Já existem alguns contatos bem adiantados, mas estamos tentando conseguir um valor maior para o Palmeiras, e isso não é fácil, acaba formando aquela “queda de braço”. Mas sim, já temos algumas empresas em mente e com conversações bem adiantadas.

JFC: Agora, saindo um pouco do futebol. Como o marketing está ajudando os esportes amadores e os esportes olímpicos a conseguirem receita?

Paulo Nobre: É complicado. Vamos usar de exemplo o basquete: é um esporte olímpico que está numa fase muito boa agora, mas tem um gasto de, em média, R$3 milhões por ano. Por mais que tenham jogos televisionados, infelizmente é difícil terem grande interesse. Além disso, é muito difícil você ter apenas uma pessoa  no marketing para cuidar do futebol, do clube social e dos esportes olímpicos porque são focos muito diferentes. Estamos estruturando o departamento de marketing para não ser apenas uma pessoa mas sim, um departamento como um todo. Mas é bem mais difícil conseguir alguma coisa para os esportes amadores  no Brasil, porque o futebol acaba abocanhando mais ou menos 95% da verba para os esportes como um todo.

JFC: E os prédios que já foram entregues, já estão sendo utilizados mas ainda não foram terminados? Já existe alguma proposta a respeito?

Paulo Nobre: Antes de reclamações surgirem, eu pedi para ser informado de tudo o que foi realmente acordado, escrito e aprovado. Assim é possível fazer uma comparação de tudo o que foi decidido e tudo o que  está acontecendo na prática, para depois conversar com a WTorre e fazer correções nas coisas que estão acontecendo. A verba no Palmeiras está muito complicada. Precisamos montar todos os prédios e instalar todos os departamentos. Eu sugeri um aumento na mensalidade para o clube social parar de dar o prejuízo que ele causa, que é em torno de 1 milhão de reais por mês, mas não tive todo o aumento que eu queria.  Mas dentro do aumento que eu consegui eu vou “carimbar” este dinheiro para ser destinado ao clube social para podermos começar a voltar a ter um clube em ordem, porque hoje nós temos um micro-clube dentro de um grande terreno de obras.

JFC: O Palmeiras já começou a faturar com a Arena, graças à sua porcentagem de ganho na venda dos camarotes. Além disso, já existe alguma projeção de ganhos financeiros para quando a Arena estiver pronta?

Paulo Nobre: Existe uma projeção feita pela WTorre, mas o papel aceita tudo. Então eu quero ver a coisa acontecendo na prática. Sobre os camarotes: eles não estão sendo vendidos, na verdade é um sinal para você garantir aquele camarote específico. A partir do momento que a Arena começar a funcionar, os pagamentos vão começar a acontecer de fato. Estou em uma expectativa grande, em primeiro lugar para termos uma casa. A referência de você poder jogar em casa é outra coisa. E em segundo lugar será uma fonte de receita nova, o que estamos precisando e muito.

JFC: E qual é a previsão de término para todas as obras?

Paulo Nobre: Falam no final deste ano. Eu acredito que acabará invadido parte do ano que vem.

JFC: Saiu ontem na internet que o Palmeiras colocou o clube de campo como garantia na justiça pelo pagamento da dívida com o jogador Lincoln. Existe a possibilidade do sócio perder o clube de campo?

Paulo Nobre: Se eu não me engano, por estatuto, o Palmeiras não pode se desfazer do clube de campo, por ser patrimônio do clube e tudo mais. Isso é dado em garantia mas, na verdade, eu tenho até que ver com o departamento jurídico como está a situação, pois eu não a tenho familiarizada ainda. Mas a chance de perder o clube de campo é nula, até mesmo por estatuto.

JFC: O Brunoro chegou ao clube para realizar um trabalho de reorganização de todo o Palmeiras ou ele tem um trabalho mais específico?

Paulo Nobre: Ele é o diretor executivo do Palmeiras, como um todo: tanto do futebol quanto do social. Mas em um primeiro momento, eu pedi para ele se concentrar mais no futebol porque o Campeonato Paulista já havia começado e precisávamos montar um elenco. Ele tem uma bagagem muito grande no futebol, então foi um pedido meu para que, nestes primeiros meses, ele se dedicasse mais a este departamento. Obviamente eu fiscalizo e estou sempre informado de tudo o que acontece, mas a experiência dele é inegável e importante.

JFC: Você poderia fazer um balanço avaliativo destes três primeiros meses da sua administração?

Paulo Nobre: É comum falarmos que às vezes precisamos matar um leão por dia. Aqui no Palmeiras, eu diria que nós tivemos que matar um zoológico por dia. Os problemas surgem diariamente: problemas grandes e difíceis de administrar e até problemas pequenos que as pessoas fazem eles ficarem grandes. Eu diria que hoje, sem medo de errar, o Palmeiras é o seu maior adversário. As vezes não nos ajudamos internamente, e quando digo isso não é no sentido de passar a mão na cabeça das coisas erradas que acontecem; mas a cobrança e a falta de paciência do palmeirense, de uma maneira geral, é enorme. Eu não estou só reclamando, mesmo porque eu não achei que fosse ser muito diferente disso, mas este tipo de situação precisa mudar. Mesmo que não seja comigo, mas essa filosofia e cultura precisa se modificar. Para os próximos presidentes, eu espero conseguir entregar um clube melhor do que o clube que eu peguei, com uma filosofia e mentalidade pelo menos um pouco diferente. É complicado você cobrar no início de uma gestão do jeito que estamos sendo cobrados. Insisto que não estou reclamando, eu tinha plena consciência da situação e sabia que a pressão começaria logo no primeiro dia de gestão. Mas isso atrapalha e muito porque muitas vezes você não consegue se concentrar em coisas prioritárias para resolver problemas pífios que não fazem o menor sentido nem ao menos serem discutidos. Como eu tenho convivido com isso, eu gostaria que o próximo presidente pegasse o clube com pelo menos uma mentalidade diferente neste sentido: O Palmeiras tem que ser o seu maior aliado e não o seu maior adversário.

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2 responses

17 04 2013
fernandoalemao

Ótima entrevisata, vocês estão de Parabens!! Abaço de um blogueiro !!

4 08 2013
gfrugis

Obrigada, amigo!
Abraços

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