Olímpico: mais de cinco décadas monumentais – Histórias de Gre-Nais marcantes

2 12 2012

Em dia de Gre-Nal especial, o Jornalismo FC conta a história de três Gre-Nais que marcaram época

Por Stéfano Bruno

Montagem Olimpico

Construído em 1954, o estádio Olímpico receberá hoje a sua última partida (Montagem: Stéfano Bruno)

Após a construção do estádio Olímpico, uma das partidas inaugurais do estádio foi justamente um Gre-Nal, clássico este que marcará o fechamento do estádio, após 58 anos de existência.

O Jornalismo FC escolheu três Gre-Nais para contar a história: a primeira vitória do Grêmio em Gre-Nais, o tombo que colocou fim a supremacia vermelha e a vitória no centenário do Gre-Nal.

Da vergonha ao choro

No primeiro Gre-Nal no estádio o Olímpico, o Internacional aplicou uma sonora goleada sobre o Imortal Tricolor, por 6 a 2, com direito a quatro gols de Larry Pinto. Mas a primeira vitória do Grêmio sobre o maior rival, viria logo mais e seria emocionante. Pena que o autor de um dos gols da memorável vitória, não se lembra de tal feito.

– Eu fiz? Que bom! – disse Milton Kuelle em entrevista ao portal Globoesporte.com. O veloz meia-esquerda também era conhecido por Formiguinha.

Formiguinha não apenas marcou um dos gols da vitória Tricolor, como ajudou a dar fim a um jejum de 11 Gre-Nais sem vitória do Grêmio. Na época, o Tricolor estava implantando um conceito muito conhecido hoje em dia. O famoso “futebol-força”. Estilo que fez sucesso com o Grêmio que, a partir de 1955, conquistou 12 títulos estaduais em 13 disputados.

A partida começou deixando a entender que o jejum gremista, permaneceria. Logo aos 22 minutos, Larry cruzou e Chinesinho mandou a bola para o fundo do gol. Inter 1 a 0. O Grêmio não se abateu com o gol e empatou no lance seguinte. Juarez cruzou e Milton Kuelle apareceu como um raio, para completar para o fundo do gol e empatar a partida. Assim terminou o primeiro tempo.

No segundo tempo, o que se viu foi uma imensa pressão gremista. Pressão que fez jus a virada do Tricolor, que teve como destaque da partida, o meio-campo Sarará. Garçom do dia, Juarez deu nova assistência e dessa vez, Zunino apareceu para virar o placar e dar números finais a partida. Com a vitória de virada, o Grêmio assegurou a primeira vitória sobre o maior rival em sua nova casa. Vitória que emocionou o vestiário. Chorando compulsivamente, o presidente Ary Delgado declarou que agora, o Inter teria que correr atrás do Grêmio.

– Agora, eles (o Inter) que corram atrás do Grêmio! – disse Ary.

O tombo que trouxe conquista

No dia 25 de setembro de 1977, talvez tenha ocorrido um dos Gre-Nais que os gremistas mais gostam de recordar. Após um gol de André Catimba, que teve uma das comemorações mais famosas do estádio Olímpico, o Grêmio deu fim a uma supremacia vermelha, que conquistou oito títulos consecutivos do Gauchão. Antes da desastrosa comemoração de André, o seu companheiro de ataque, havia passado por apuros.

Aos 22 minutos, após Gardel colocar a mão na bola dentro da área, o árbitro da partida assinalou pênalti para o Grêmio. Na cobrança do penal, Tarcísio, ou Flecha Negra, como ficou conhecido, pegou a bola e assumiu a responsabilidade. Flecha Negra é “apenas” o segundo maior artilheiro da história do Grêmio. Mas na cobrança do pênalti, ele acabou desperdiçando a oportunidade de abrir o placar. Em entrevista ao portal Globoesporte.com o atacante narrou o momento da cobrança e o drama logo após a perda do pênalti.

– Eu era o batedor do Telê, quase não errava nos treinos. Naquele dia, o estádio estava muito lotado. Mas, com o silêncio que a torcida fez na hora do pênalti, eu conseguia escutar a conversa do cara na arquibancada. Era uma responsabilidade muito grande e eu tinha 24 para 25 anos. Ainda não era um jogador experiente. Eu sempre batia do mesmo jeito. Forte, no canto esquerdo do goleiro. Mas na corrida, mudei de ideia. Tirei do goleiro e errei. Naquele momento o meu cérebro parou. Não conseguia raciocinar. Só voltei quando o Tadeu e os outros jogadores vieram falar comigo. Eles disseram: “Não tem problema, você joga muito e vai nos salvar ainda hoje”. Nunca me esqueço. O Catimba chegou e disse: “Não te preocupa, porque eu vou fazer o gol e vou te salvar”. Catimba acabou cumprindo a promessa que fez a Tarcísio.

andré catimba 1977 gol grêmio gre-nal adeus,olímpico (Foto: Armênio Abascal Meireles/Agência RBS)

Após marcar um gol histórico, André Catimba erra salto mortal e acaba se machucando (Foto: Armênio Abascal Meireles/Agência RBS)

Aos 42 minutos, Yura, o Passarinho, deu uma assistência milimétrica para André Catimba, que finalizou no ângulo direito do goleiro Benitez, que saltou em vão. Golaço! Na comemoração, Catimba tentou dar um salto mortal, mas não obteve sucesso e acabou caindo no gramado do Olímpico. A comemoração acabou virando tombo e o estádio hospital. A ânsia por títulos fez a torcida gremista invadir o gramado antes do apito final, que foi forçado a acontecer devido à invasão. A equipe montada a dedo por Telê Santana, e a vitória por 1 a 0, foram o trampolim para o Grêmio, segundo Tarcísio.

– O Grêmio nasceu ali, naquele jogo. Essa que é a verdade. O Grêmio vitorioso de hoje, forte contra todos os times, temido, campeão brasileiro, da América e do mundo surgiu ali, naquele gol, naquele jogo. Foi a virada do Grêmio. Para mim, o ano de 77 é tão marcante quanto o ano de 83 – declarou Tarcísio.

Capitão vira torcedor e o Grêmio vence o Gre-Nal centenário

No dia 19 de julho de 2009, comemorou-se o centenário do Gre-Nal, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. A partida foi semelhante à primeira vitória do Grêmio sobre o Internacional. Novamente, o Tricolor passava por um longo jejum em Gre-Nais (não vencia o Inter desde 2007). A vitória de virada, foi para Tcheco, capitão daquela partida, a mais marcante em um Gre-Nal.

– Foi o Gre-Nal com a maior carga emotiva que já joguei – disse Tcheco em entrevista ao Globoesporte.com.

grêmio inter gre-nal 2009 maxi lopez tcheco adeus, olímpico (Foto: Diego Vara/Agência RBS)

Após vitória de virada no centésimo Gre-Nal, Tcheco e Maxi López vão cantar com os torcedores gremistas presentes no estádio (Foto: Diego Vara/Agência RBS)

A partida ganhou vida própria antes mesmo do apito inicial. Durante a semana, o peso da partida acabou caindo sobre os ombros de Tcheco. Durante a partida, esse peso aumentou após o gol de Nilmar, no primeiro tempo.

– O pior é que começamos perdendo. Quando saiu o gol do Nilmar, pensamos: poxa, será que vamos perder de novo? Vai acontecer de novo? Vamos deixar os caras ganhar aqui dentro? – recordou o capitão.

O Grêmio empatou ainda no primeiro tempo. Em cobrança de falta perfeita, Souza se redimiu da falha no gol do Inter e colocou a bola no ângulo direito de Lauro. Golaço!

No segundo tempo, o Grêmio aplicou uma enorme pressão sobre o Inter, e o gol da virada ficava mais maduro a cada minuto que passava. E ele veio, aos 24 minutos. Souza cobrou escanteio pela direita e a bola sobrou para o zagueiro Réver, dentro da área. O zagueiro finalizou firme, a bola pegou na defesa colorada e sobrou para o atacante argentino Maxi López, que, de cabeça, completou para o fundo do gol.

Dentro da área e com visão privilegiada do gol, Tcheco comentou sobre o gol histórico.

– Eu geralmente cobrava os escanteios, mas nesse foi o Souza. Lembro que estava dentro da área esperando uma sobra. Aí o Souza cobrou, o Réver bateu, a zaga tirou e o Maxi (López) mandou para o gol. Foi uma explosão. Um alívio.

Estatísticas do Gre-Nal

Nas estatísticas gerais, o Internacional tem ampla vantagem em relação ao Grêmio. Segundo os números do site oficial do Internacional, até hoje foram disputados 393 clássicos, onde o Colorado venceu 147, enquanto o Tricolor soma 125 vitórias. Ao todo, são 121 empates. O Inter marcou 558 gols e sofreu 521.

Se forem levadas em conta apenas as partidas realizadas pelo Campeonato Brasileiro, a vantagem é gremista. Foram 45 partidas, com 19 vitórias do Tricolor, 16 vitórias do Colorado e 10 empates. Grêmio e Inter marcaram 43 gols cada.

No estádio Olímpico, o Grêmio leva nova vantagem nas estatísticas. Foram 122 jogos, dos quais o Tricolor venceu 41 e perdeu 33. Foram 47 empates. O Tricolor marcou 152 gols e sofreu 132.

No Beira-Rio, casa do Internacional, a vantagem é vermelha. Foram 109 partidas, com 42 vitórias do Inter e 27 derrotas. Ao todo foram 40 empates. O Colorado marcou 108 gols e sofreu 91.

Gre-Nal 394

O clássico deste domingo marcará o fim de uma era. A era Olímpico Monumental. Nada melhor que um Gre-Nal para marcar ainda mais a despedida de um dos estádios mais tradicionais do Brasil e do mundo.

Para a partida de logo mais, o técnico Vanderlei Luxemburgo ainda não sabe se poderá contar com o meia Zé Roberto, que sofreu uma pancada no tornozelo esquerdo no treinamento de quarta-feira e segue como dúvida para a partida. O departamento médico do Tricolor segue confiante na presença do experiente meia no clássico.

Sem poder contar com Marcelo Moreno e Marco Antônio, suspensos, e o atacante Kléber, recém-operado, Luxemburgo deve mandar a campo a seguinte equipe: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Naldo e Léo Gago (Júlio César ou Anderson Pico); Fernando, Souza, Elano e Zé Roberto (Marquinhos); Leandro e André Lima.

Pelo lado do Internacional, o técnico Osmar Loss, não tem problemas com contusão ou suspensão e deve mandar a campo a seguinte equipe: Muriel; Ygor (Josimar), Índio, Rodrigo Moledo e Fabrício; Josimar (Ygor), Guiñazú, Fred, D´Alessandro e Dátolo (Diego Forlán); Leandro Damião.

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