‘Vira-casaca’, Marcos Assunção revela ao JFC que virou palmeirense, mas que se inspira em ídolo do rival

28 08 2012

Volante do Palmeiras concedeu entrevista exclusiva ao Jornalismo FC; áudio da conversa no fim da matéria

Por Caio Martins

Marcos Assunção conquistou seu primeiro título pelo Palmeiras em julho deste ano (Foto: Tom Dib)

“Nunca tive um ídolo no futebol. O meu maior ídolo é meu pai”. Foi com essas palavras que Marcos Assunção definiu seu maior exemplo de vida. Emocionado ao falar de seu pai, o jogador disse que ele “fez de tudo para que eu me tornasse o que eu sou hoje” . O volante palmeirense de 36 anos, conhecido por suas mortais cobranças de falta, que, aliás, são inspiradas no ídolo corintiano Marcelinho Carioca, saiu do grupo de bons jogadores da história alviverde para o hall de grandes ídolos da história do Palmeiras ao tirar o Verdão da fila de 12 anos sem títulos nacionais com a conquista da Copa do Brasil em julho deste ano.

Em entrevista exclusiva ao Jornalismo FC, Marcos Assunção falou sobre suas inspirações, seu sentimento ao vestir a camisa alviverde e à respeito de seu futuro, que ainda pode ser o Verdão por conta da disputa da Taça Libertadores 2013. Você confere abaixo, na íntegra, nossa conversa com o atleta.

Ídolo corintiano, Marcelinho Carioca foi a inspiração de Marcos Assunção nas bolas paradas (Foto: Divulgação)

JFC: Você tem um verdadeiro dom quando se trata de bola parada. Obviamente, isso é fruto de muito treinamento, mas muitos treinam e nunca chegam neste nível. Quando e como você descobriu essa especialidade?

Assunção: A partir do momento em que eu queria jogar futebol. Eu queria ser um grande batedor de faltas. Eu queria me destacar em alguma coisa quando eu comecei a jogar futebol. Eu sabia que tinham muitos jogadores que fazem muitas coisas, mas, mesmo assim, essas muitas coisas ainda não eram as necessárias. Então eu tinha que ter alguma coisa a mais, algo a mais. Eu gostava muito de ver o Marcelinho Carioca cobrando falta. Eu coloquei na minha cabeça que um dia eu poderia não chegar a ser como ele, como não cheguei. Para mim, o Marcelinho é o melhor que eu vi. Já me falaram de grandes batedores de falta, mas, dos que eu vi, ele foi o melhor. Eu queria fazer as coisas que ele fazia, bater falta igual ele batia. Então eu comecei a treinar bastante mesmo, para que eu pudesse fazer gols de falta. Isso exigiu muito trabalho e treinamento.

JFC: Quais são seus maiores ídolos no futebol?

Assunção: Cara, eu nunca tive um ídolo. Eu vim de família humilde, então antes de começar a jogar futebol, eu nunca tinha ido em um estádio. Eu tive um ídolo de vida: meu pai. Ele nunca jogou futebol e nem nada, mas é um cara que me ajudou muito, que queria que eu fosse jogador de futebol. É um exemplo para mim, é o meu maior ídolo, meu maior defensor, fez de tudo pela minha carreira. Ele trabalhou muito para que eu pudesse ser o que eu sou hoje, o que eu fui, o que eu fiz na minha vida profissional. Ele é falecido já, é um cara que me faz muita falta.

Antes santista, Assunção afirmou que seu coração já é verde (Foto: Gazeta Press)

JFC: Há um tempo atrás, você declarou publicamente ser torcedor do Santos. No entanto, sua postura em campo é de muita garra e comprometimento. Podemos dizer que seu coração já se tornou palmeirense?

Assunção: Já. Eu estou aqui há quase três anos, eu não tenho para onde fugir mais. Uma coisa que eu amo fazer é jogar aqui no Palmeiras, eu amo vestir essa camisa. Eu aprendi a amar o Palmeiras, de verdade. Eu faço de tudo pelo clube, eu dou o meu máximo, quando estou em campo, para que o time possa vencer. Eu tento de tudo para que a torcida palmeirense fique feliz. Eu faço de tudo para que eu possa chegar na minha casa e ver meu filho de três anos que é palmeirense doente, ficar alegre e poder comemorar que o Palmeiras ganhou o jogo. Isso fez com o que eu tivesse amor e o respeito que as pessoas tiveram e têm por mim desde que eu cheguei no clube crescesse muito. O que eu posso dizer é que tenho um carinho muito grande pelo Santos, por tudo que ele me proporcionou para a minha vida profissional fora do Brasil, afinal, foi esse clube que me deu essa oportunidade. Mas no Santos eu não tive um título tão importante quanto eu tive aqui no Palmeiras. Ganhei no Santos? Ganhei. No entanto, posso dizer que quando eu parar de jogar, meu coração será 50% Santos e 50% Palmeiras. O Palmeiras é muito importante na minha vida profissional.

JFC: Seus gols de falta e seus cruzamentos já ajudaram o Palmeiras em várias partidas e competições. Você não acha que o time está muito dependente dessas jogadas que vem de seus pés?

Assunção: Não, eu não acho não. Acho que todo o time gostaria de ter um jogador de bola parada. Eu gosto de jogar no Palmeiras, acho que as pessoas do clube estão felizes com o meu trabalho. Eu acho que quando as duas partes estão contentes, é maravilhoso. É uma felicidade enorme, com 36 anos, ser importante para o Palmeiras.

JFC: Você já fez muitos gols pelo Palmeiras. Qual, ou quais, deles considera o mais importante? E o mais bonito?

Assunção: Na Copa Sul-Americana de 2010, contra o Vitória. O gol não nos deu o título, mas acho que foi um dos mais importantes na minha carreira aqui no Palmeiras.

Para o volante, o gol contra o Vitória foi o seu tento mais importante pelo Palmeiras. No vídeo, você vê o gol filmado por um torcedor presente nas arquibancadas do Pacaembu

JFC: Falando em gols, você tem de cabeça o número de gols que você fez de falta?

Assunção: Não tenho, não faço a mínima ideia para falar a verdade. Eu nunca contei os meus gols. Não sei o número exato, não. Eu quero fazer gols em todas as faltas que eu cobro, mas nunca parei para contar.

JFC: Neste Brasileirão, vários erros de arbitragem estão acontecendo, muitos deles contra o Palmeiras. Segundo o site “Placar Real”, um portal que analisa os erros de arbitragem no Campeonato, o Verdão é um dos mais prejudicados. Você acredita que, sem tantos inúmeros erros, o time estaria muito mais confortável na tabela? Porque a situação está complicando cada vez mais…

Assunção: Eu acho que sim. Tivemos alguns erros da arbitragem, mas a gente não pode ficar pensando nisso. Nós temos que depender de nós mesmos. De repente, se nós tivéssemos um ou dois gols a mais que o adversário e o árbitro errasse, não estaríamos nessas condições que estamos. Talvez, se estivéssemos em uma posição diferente, provavelmente você não estaria fazendo essa pergunta. Erraram muito contra a gente sim? Sim. Mas isso é normal, errar é humano. O que temos que fazer é jogar. Não adianta nós ficarmos lamentando o que o juiz fez ou deixou de fazer.

O volante já conquistou o Campeonato Italiano pela Roma (Foto: Divulgação)

JFC: Você já conquistou campeonatos importantes, como o Italiano, pela Roma, e a Copa do Rei pelo Real Betis. Porque você considerou a Copa do Brasil como o título mais importante de sua carreira?

Assunção: Foi o mais importante porque foi o meu primeiro título no Brasil depois de muito tempo fora, depois de ter passado o que eu passei, fiquei seis meses sem jogar, sem receber e sem clube querendo o meu futebol. Eu não estava fazendo o que eu gosto tanto de fazer. Por isso a conquista foi tão importante. Com 36 anos, capitão do time e levantar uma taça, isso nunca tinha acontecido comigo. Eu até levantei, mas quando eu tinha 18 anos. Por isso, conquistar um título como esse naquele momento foi importantíssimo.

JFC: Na preleção antes da final no Couto Pereira, um vídeo, chamado “No Caminho da Glória, do torcedor Gabriel Santoro, foi mostrado para vocês jogadores. Você acha que o vídeo influenciou ou motivou ainda mais os jogadores para o jogo?

Assunção: Tiveram vários vídeos que nos motivaram. Tivemos a palestra do capitão do BOPE (Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro) e até algumas declarações de alguns jornalistas que diziam que não seríamos campeões. Tudo isso nos motivou bastante, fez com que a gente se fortalecesse e ficássemos mais unidos para conseguir esse título.

Marcos Assunção cruzou para Betinho marcar o gol do título do Palmeiras na Copa do Brasil 2012 (Foto: Miguel Schincariol/Globoesporte.com)

JFC: Como foi a sensação de conquistar a Copa do Brasil logo em cima do Coritiba e no Couto Pereira, adversário e palco da goleada por 6 a 0 no ano passado?

Assunção: Sabíamos que seria muito difícil. Muitos relembraram o 6 a 0, mas esqueceram que, no Campeonato Brasileiro, voltamos ao mesmo Couto Pereira e empatamos por 1 a 1. Logo depois daquela goleada, vencemos a partida de volta por 2 a 0. Não levamos a final como uma vingança ou revanche. É muito complicado ganhar um jogo lá e fomos bastante motivados e concentrados, tendo consciência do que iríamos enfrentar.

JFC: Com o título da Copa do Brasil, o Palmeiras garantiu uma vaga para a Libertadores do ano que vem. Você tem contrato até o fim do ano e estava pensando em se aposentar no término do compromisso com o Verdão, mas teve sua permanência para 2013 praticamente garantida pelo Roberto Frizzo, vice-presidente do Palmeiras, alguns meses atrás. O que pode fazer você mudar de ideia de vez, além da possibilidade de conquistar a América?

Assunção: A Libertadores é uma competição que eu nunca disputei. Essa é a minha grande motivação para seguir atuando no Palmeiras no ano que vem. Não existe ainda uma renovação ou assinatura de contrato, apenas um início de conversa. Mas está bem encaminhado. Eu e o Palmeiras voltaremos a conversar depois que eu melhorar do joelho e voltar a jogar bem, sem nenhum tipo de problema ou dor. Eu quero ser útil e jogar. Desejo dar ao Palmeiras o que ele necessita do Marcos Assunção. Quero seguir ajudando a equipe e dando alegrias ao torcedor palmeirense.

Abaixo, você confere o áudio da entrevista do Jornalismo FC com Marcos Assunção.

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7 responses

6 01 2013
Marcos Assunção, ao JFC: “Alguns da diretoria não quiseram minha permanência no Palmeiras” «

[…] jogador, que concedeu entrevista exclusiva ao portal em agosto do ano passado, deixa o Palmeiras depois de disputar 145 partidas e marcar 31 gols, quase […]

31 08 2012
Murilo

Parabéns pela entrevista Caio!
Você esta realmente de parabéns cara.
Ficou sensacional.

31 08 2012
Caio Martins

Muito obrigado Murilo!
Abração.

28 08 2012
Evandro

Parabéns pela entrevista, Kid Assunção é foda.
Tem que ficar pra libertores 2013, vai ajudar demais o Verdão!

28 08 2012
Caio Martins

Muito obrigado, Evandro! Abraço

28 08 2012
Luciano

Muito boa a entrevista…

28 08 2012
Caio Martins

Obrigado, Luciano!

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