Soberano 2: entenda o porquê de a conquista ser heroica

20 08 2012

Documentário tem como clímax a final diante do Liverpool e reúne declarações de diversos heróis do título como Rogério Ceni, Mineiro e Amoroso

Por Luiz Queiroga
Suporte de equipe de cobertura: Stephanie Contiero

Superação, determinação e explosão: Rogério Ceni foi um dos grandes nomes do São Paulo na conquista do Mundial, mesmo com o joelho lesionado (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

Para um evento soberano, um espaço soberbo. Um amontoado de jornalistas esperava na entrada de acesso de funcionários do shopping Juscelino Kubitschek, alguns ainda perdidos, afinal, como brincava um, “pobre em lugar de rico não dá certo”. Certo ou não, foi o local escolhido pelo São Paulo Futebol Clube para a pré-estreia do Soberano 2: A Heroica Conquista do Mundial de 2005.

Maurício Arruda (esquerda) e Carlos Nader são os responsáveis por retratar toda a dramaticidade do título tricolor (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

Nem mesmo o diretor do filme, que se identificou para o segurança como Maurício Arruda, teve vez: foi barrado, junto com o pessoal da imprensa. Normas do shopping, mas que divergiam com o horário proposto pela organização do evento. Passado o contratempo, lidado de várias formas pelas pessoas presentes, o local seguinte onde todos rumariam seria o do Cinépolis JK, que não fugia de toda a luxuosidade do enorme shopping.

Todos simples, ainda não se sabia ao certo se algum herói da conquista apareceria. Até então, apenas Maurício Arruda chegara, posteriormente seu amigo e o também responsável pela direção e roteiro Carlos Nader. Sem nenhum craque de 2005, o público adentrou-se na sala de cinema e, confortavelmente, sentou-se para assistir à obra.

O filme expressou exatamente o que Carlos Nader desejava, uma vez que, “de um jeito linear”, houve “conflito, protagonismo, antagonismo, comédia e drama”, como declarou. Mais, ainda como disse o roteirista, um filme que faz os espectadores refletir, já que “um jogo e um filme são alegorias da própria vida, que encantam”.

Rogério Ceni manteve as entrevistas de alto nível em Soberano 2 (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

Detalhes enriquecem e tornam fatos grandiosos, como comentou Rogério Ceni durante a gravação, e são pontos que Soberano 2 não deixou de lado. O próprio goleiro foi um dos grandes destaques da obra, não o maior nem menos importante, mas aquele que não escondeu as lágrimas como forma de desabafo em determinado momento.

SPFC e Al Ittihad: um jogo não tão tranquilo como todos pensavam (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

Nem Lugano e toda sua raça, ou Mineiro e sua timidez, foram os protagonistas, esse papel foi designado para todo o time, e no filme a ideia fica bastante clara. Todos são um único bloco, firme, raçudo, tricolor.

A tensão sobre como lidar com o primeiro adversário, para muitos um simples e modesto Al Ittihad, mas que para o São Paulo era um time muito bem organizado, que daria bastante trabalho, foi bem captada. Na plateia, havia dois são paulinos trajados com a camisa do time; pareciam estar dentro do estádio em determinados momentos, quando escapavam alguns socos no ar, como quando Cicinho chutou por cima do travessão uma bola que poderia ter sido mais bem caprichada no confronto que terminou 3 a 2 para os brasileiros.

Diversas declarações de torcedores enriquecem o documentário (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

Após a trabalhosa vitória, o principal momento começava a ser introduzido de maneira perfeita, afinal, “a narrativa foi construída pra contar como o São Paulo, uma equipe considerada por muitos tecnicamente inferior, com apenas um fora de série, no caso o Rogério Ceni, conseguiu vencer o até então imbatível Liverpool, que vinha de 11 jogos sem levar um gol sequer”, como disse Maurício Arruda.

Raça x Técnica: os guerreiros do Tricolor de um lado contra a imbatível seleção do mundo (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

A dramaticidade em torno da lesão de menisco de Rogério Ceni um dia antes da decisão diante da “seleção do mundo”, as imagens que retratavam o momento religioso de cada jogador, com o próprio goleiro rezando diante de uma Virgem Maria cercada por velas e Cicinho lendo a Bíblia no quarto horas antes de seguir rumo ao estádio de Yokohama. Detalhes, detalhes. Até mesmo Raí colaborou, pois esteve ao lado da delegação tricolor e participou de alguns coletivos, sem perder o bom futebol.

Boa parte do filme gira em torno das cenas da grande final, mesclando as entrevistas que se tornaram mais emocionantes, por justa causa, com narrações eletrizantes. A primeira aparição de um Mineiro, simples na aparência e no modo de se expressar, comentando sobre a hora do gol decisivo, tento aquele que daria o tricampeonato mundial. “Chulapa, Chulapinha, Chulapinha, passei!”. Gritos do camisa 7 após aparecer livre na área não detectados pela televisão na época, a genialidade de Aloísio dar, segundo ele mesmo, um toque “à lá Ronaldinho do Paraguai” para o baixinho crescer e balançar as redes.

Mineiro surge para detalhar o lance que definiu a vitória do SPFC (Foto e montagem: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

A partir daí, Maurício e Carlos procuraram trabalhar da melhor maneira possível a pressão total que o time do Morumbi levava dos ingleses. A inesquecível defesa de Rogério Ceni contra a cobrança magnífica de falta de Steven Gerrard vista em vários lances. Ponto interessante é a aparição de um torcedor do Liverpool, bastante sincero e ainda com o grito de campeão preso na garganta, uma vez que até chegou a sugerir que houve armação na conquista do “time sul-americano”. Fato que o bandeirinha, outro grande personagem da noite, desmentiu, quando detalhou no filme como foi difícil, mas estava bem preparado naquele jogo para anular três gols de maneira correta.

Todos os três gols anulados pela arbitragem foram incontestáveis (Foto: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

Os vídeos de torcedores que acompanharam toda a emoção de dentro do estádio, a falta que “determinou a morte de muitos são paulinos nas estatísticas” perto do fim dos 90 minutos do raçudo Lugano, toda a atmosfera tricolor no Japão muito bem capturada, de fato, um filme soberano. Dia 24 de agosto, nos cinemas, não perca.

Lugano: raça, vontade e paixão. Conquista brasileira teve um gostinho uruguaio (Foto e montagem: Luiz Queiroga/Jornalismo FC)

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Fotos: Luiz Queiroga/Jornalismo FC

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2 responses

5 08 2013
Campeões mundiais pelo São Paulo tomam rumos diferentes após conquista |

[…] RELEMBRE O TÍTULO: e entenda o porquê de a conquista ser heroica […]

17 01 2013
São Paulo/Penalty e Liverpool/Warrior Sports, casos com semelhanças «

[…] A estratégia adotada pelas duas fornecedoras foi a mesma: contratos multimilionários com grandes clubes reconhecidos mundialmente, que, inclusive já se enfrentaram, em 2005, na final do Mundial de Clubes. O São Paulo, inclusive, fez um filme à respeito da conquista. […]

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