Abel Neto conta sua trajetória no jornalismo durante o ‘Encontros Esportivos’ da Aceesp

18 08 2012

O jornalista Abel Neto expõe detalhes sobre sua carreira, dá dicas aos futuros profissionais e revela algumas particularidades do jornalismo esportivo

Rômulo Magalhães

(Foto: Antonio Colucci)

O jornalista esportivo da TV Globo, Abel Neto, concedeu uma palestra na noite desta quinta-feira (17) na sede da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo para jornalistas, estudantes e profissionais da comunicação. No bate-papo, Abel Neto falou sobre sua trajetória profissional, seus 17 anos de experiência no jornalismo e ainda contou alguns momentos que marcaram a sua carreira jornalística. A reportagem do Jornalismo FC esteve presente na palestra e realizou a cobertura completa do evento.

Para esclarecer melhor aos leitores que gostam da profissão e aos estudantes de jornalismo, resolvemos escrever em tópicos tudo o que esse grande jornalista comentou a respeito da profissão. Uma verdadeira aula de jornalismo esportivo.

Carreira

Como já mencionamos, Abel Neto começou a palestra falando da sua extensa carreira e dos lugares por onde passou. Natural em Santos, o jornalista se formou na Universidade Católica de Santos (UniSantos). Foi ter o primeiro contato com a prática do jornalismo já depois de formado, quando entrou no ‘Diário Lance!’, em 1997. No ano seguinte, recebeu o convite para ser repórter da TV Tribuna. Em 2000, foi para a TV Globo, onde até hoje atua como repórter.

Relação do repórter com as fontes

Questionado sobre o assunto, Abel disse que estar muito próximo da fonte atrapalha o repórter no futuro, mas pode ajudar a dar um grande furo de reportagem. “Conheço muita gente e tenho algumas fontes confiáveis, mas não tenho muita intimidade com nenhuma delas. Temos que saber, até onde podemos chegar. Não gosto muito da proximidade”, diz.

Novo formato do Globo Esporte

Abel Neto fez elogios à nova forma de apresentação do Globo Esporte e ao apresentador Tiago Liefert. “Ele é muito bom, faz o programa de uma forma natural”. Disse ainda que o jovem jornalista mudou ‘a cara’ do programa e que tem o jeito dele. “É diferente do padrão global, hoje, todos os ‘Globo Esportes’ estão aderindo esse formato descontraído”, contou.

Experiência como apresentador do Globo Esporte

Para quem não sabe, Abel Neto passou uma semana apresentando o Globo Esporte. De acordo com o jornalista, não tinha ninguém para apresentar então o chamaram. “Quando não está o Tiago tem o Ivan Moré. Quando não está o Ivan tem o Bruno Laurence. A última opção sou eu”, brincou.

Abel Neto explicou como é o dia a dia do apresentador do Globo Esporte. Ele disse que neste formato não existe teleprompter. O apresentador chega cedo no estúdio, acompanha o espelho, coloca na cabeça como vai ser a apresentação e na hora do programa, improvisa. “Desse jeito é mais natural. Eu me senti melhor do que quando eu leio”, falou.

Ainda confessou que existe sempre um diretor, direcionando tudo o que o apresentador irá falar, a tal “voz da consciência” de Tiago Liefert.

Jornalistas, estudantes e profissionais da comunicação prestigiam Abel Neto (Foto: Antonio Colucci)

Ex-jogadores no jornalismo

Abel Neto levantou uma questão discutida há anos no jornalismo: a vivência de ex-atletas no mundo jornalístico. Ele afirmou que não vê problemas nos comentaristas esportivos que já jogaram futebol profissional, porém, o cara tem que ser coerente no que fala. Ainda falou que não é só porque a pessoa já jogou futebol que ele entende mais do que todo mundo. “Pelé foi o maior jogador da história do futebol, mas todo mundo diz que ele só fala bobagem”, disse o jornalista.

Participação feminina no jornalismo

As mulheres também tiveram o espaço delas na palestra. Abel Neto incentivou a todas à entrar no jornalismo e afirmou que a sociedade ainda tem preconceito, não só no jornalismo esportivo, mas em tudo. “As mulheres têm que lutar contra isso”.

Assessoria de Imprensa

Muitos repórteres acreditam que os assessores atrapalham o jornalismo. Abel preferiu não se comprometer e quando foi perguntado sobre o assunto, ficou em cima do muro. “A assessoria limita muito o nosso trabalho, mas também pode ser benéfico. É um campo muito bom. Se o cara tiver bom senso vai ajudar muitas vezes, mas também existe muito ‘mala’ que não ajuda a gente nem o próprio cliente”, argumentou.

Pautas no jornalismo

O experiente jornalista aconselhou a todos que estavam presente na palestra a não ficar dependendo apenas da pauta que tem em mãos. “Temos pauteiro, mas muitas vezes, o pauteiro é você mesmo. Às vezes, coisas surgem na hora, ninguém dá a ideia”, diz.

Abel contou um caso quando foi fazer uma matéria no Japão, resolveu dar uma volta na praia e teve grandes ideias de pauta que foram levadas até o Jornal Nacional. “Se eu fosse cumprir apenas o que estava na minha pauta, eu não conseguiria expor essas ideias. Fui elogiado pelas matérias que passaram no Jornal Nacional”, comentou.

TV x Rádio

Na concorrência entre repórteres de televisão e rádio, Abel disse que respeita os radialistas, mas que cada um tem que ir a busca do seu espaço. Confessou que, às vezes, fica nervoso com eles (radialistas), por causa do “empurra – empurra”, na hora de entrevistar o jogador. “Cada um com os seus problemas, quem chega primeiro entrevista, mas quem está ao vivo tem sempre prioridade”.

Imparcialidade

“Não é benéfico para o jornalista falar para que time torce”, isso foi o que Abel Neto disse sobre a imparcialidade. “Por mais que você seja imparcial, alguém sempre vai desconfiar. É uma questão de segurança”, comentou. Quando foi perguntado sobre qual time torcia ele afirmou: “América – RJ”.

Vivências no jornalismo

Nos 17 anos vividos no jornalismo, Abel Neto contou algumas histórias. Uma delas foi quando realizou o sonho de ir a Jamaica realizar uma entrevista com Renê Simões e acabou conhecendo o atletismo do país. Na época, entrevistou o homem mais rápido do mundo, Asafa Powell e, surgia então, um garoto de 19 anos, promessa no atletismo. Abel Neto marcou entrevista com o garoto, mas no dia de entrevistá-lo preferiu não ir à entrevista para aproveitar a última semana na Jamaica e fazer umas compras. Mas, ele não sabia que esse menino um dia seria um recordista olímpico, o homem mais veloz do mundo, Usain Bolt. “Até hoje me arrependo de não ter entrevistado aquele moleque”, brincou.

Outro momento que marcou a carreira de Abel Neto foi a morte do jogador Serginho, em 2004, quando atuava pelo São Caetano. O jogador do Azulão morreu em campo, após sofrer uma parada cardíaca. O jornalista estava no Morumbi, acompanhou o jogador até o Hospital São Luiz e deu a notícia para todo o Brasil ao vivo. “Foi muito triste aquele momento, me deparei com a família, presidente, jogadores, todos chorando, mas nessas horas você tem que ser profissional e tentar fazer o melhor possível”, disse.

Abel Neto, jornalista, e Cassio Politi, diretor de marketing da Tracto (Foto: Antonio Colucci)

Matérias Inesquecíveis

Quando Maurrem Maggi foi campeão olímpica; Zé Roberto Guimarães quando perdeu a olimpíada na semifinal em 2004 e quando ganhou em 2008; Kaká, quando era reserva do São Paulo na Copa São Paulo; Robinho, quando ainda tinha 15 anos de idade; Usain Bolt, em Pequim; São Paulo, Corinthians e Santos na final da Libertadores; Corinthians perdendo pro River Plate, em 2006 e a torcida invadindo; Além das duas Copas do Mundo que cobriu.

Conselho aos estudantes de jornalismo

Abel Neto não saiu da sala de palestras sem antes aconselhar aquelas pessoas que querem seguir carreira jornalística. Ele disse que para ser um bom profissional, a pessoa precisa ser a mais informada possível, estar atualizada em todos os assuntos e, principalmente, estar preparado para “ralar muito”. “Você tem que estar disposto a perder sábados, domingos, feriados, ficar meses sem a sua família, mas tudo o que a gente planta, a gente colhe”, concluiu.

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